Você que leu o primeiro post vai pensar que o segundo será engraçado e tal. Mas ninguém é cem por cento todo dia. Acontece que eu tive uma conversa com um amigo sobre outra pessoa. E de repente me deu tanta, mas tanta saudade. Na verdade, penso que será inevitável eu um dia chegar a dizer tudo pra ela. Essa pessoa lerá o primeiro parágrafo, talvez o texto todo, mas não reparará que é dela que eu falo. Às vezes eu desejo que não repare.
E eu estava tão bem, leitor. Eu estou entendendo a matéria “dificílima, que se vocês não entenderem, sétima série, pode estudar, e muito!”, consegui, depois de muito tempo – perdoe-me a expressão –, ligar o foda-se pra quem está atrapalhando minha vida, estava tranqüila, de bem. Mas isso está soando como se eu estivesse culpando meu amigo de ter me lembrado, mas ele apenas me acordou. O que está acontecendo, sei lá, não podia.
É que eu tenho uma amiga. Tinha uma amiga. Uma amiga irmã, de anos, de tempos, de risadas, de noites, de segredos, amigas que ninguém acreditaria separadas. Mas ninguém (pelo menos na época dos desentendimentos – gravíssimos) sabia o que acontecia. Às vezes nem eu sabia. Quando a gente fala em amizade, pensa em cumplicidade, confiança e outros elementos que (NÃO É DISSO QUE VOCÊ TÁ FALANDO, RENATA) são fundamentais e etc. Mas não acontecia. Eu era completa e sinceramente amiga dela.
Infelizmente, não era recíproco.
E ela fez coisas imperdoáveis, maléficas, agiu como uma vadia sem coração, não me contou, não pediu desculpas, passou segredos meus pra frente... Ela não foi minha irmã. E hoje, o que doeu não foi a mágoa, nem o ódio das atitudes, nem o arrependimento. O que doeu foi a falta que a pessoa boa que ela no fundo é, das boas recordações, das piadinhas internas, das bobagens, das coisas de criança (porque querendo ou não, ela é parte da minha infância), das minhas broncas ignoradas, do quanto me sentia em casa em sua casa.
Minha colega, se você entendeu que eu estou falando isso não é a toa, que é verdade, que sua falta me dói todo dia e eu só ignoro, só me faz um favor: não finge que não é com você que nem você fingiu aquela vez que dei a entender que sabia (e sei) daquela coisa. Eu te perdôo, você sabe que sim. Estou de casa, coração, e janelinha do messenger aberta para você, quando quiser, quando precisar, quando menos esperar, porque pra mim não existe o termo ex-irmã. Irmã é pra sempre, mesmo você a ignorando às vezes. E outra coisa: meu amigo está mal. Dá um descontinho.
Caro leitor que não tem bulhufas a ver com essa história, quero esclarecer alguns pontos:
- Não sou uma santa, errei também, e muitas vezes.
- Sim, já dei muitas chances. Cara, eu não ligo, nasci pra ser decepcionada.
- Eu não percebi porque sei lá. Um dos mistérios da minha vida é como ela olha pra minha cara todo dia.
- Teve sim um ponto em que eu desisti. Proibi-me de pensar sobre isso, mas é inevitável.
- Teve sim também um ponto em que eu pedi pra não me contarem mais nada.
- Com certeza, se nos reaproximarmos, não vou dar confiança fácil. Sou desiludida, mas não sou burra.
- Eu a amo mais do que vocês imaginam. Na dose saudável, mas essa distância (não física, mas emocional) me machuca, muito.
- Não falo isso na lata porque esse tipo de coisa tem de ser ao vivo e eu não tenho intimidade o suficiente pra perguntar nem como vai o cachorro dela.
- Não falo isso na lata porque esse tipo de coisa tem de ser ao vivo e eu não tenho intimidade o suficiente pra perguntar nem como vai o cachorro dela.
"Foram tantas brincadeiras, tantas conversas, tantas risadas e olhe agora. Nem conversamos mais."
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